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VOCÊ EMPRESTARIA O SEU CARRO?


emprestar o carro

Recentemente nos despedimos do Virlei, um grande colega e amigo que se aposentou após 25 anos de serviço no trânsito e outros tantos de Brigada Militar. Durante sua última semana de trabalho, revisitava algumas das diversas lembranças desses quase oito anos de setor que compartilhamos.


Dentre uma infinidade de memórias, uma em especial me marcou profundamente, da qual guardo uma imensa gratidão pela sua generosidade. Estávamos escalados numa fria manhã de sábado. Minha esposa havia passado a noite num hospital da redondeza se recuperando de um procedimento cirúrgico que fizera na noite anterior. Tão logo que recebo a ligação do hospital anunciando a sua alta, procurei meu chefe de atividade para explicar a situação e solicitar autorização para poder buscá-la e levá-la para casa.



Autorizado, fui questionado pelo meu chefe e demais colegas de setor como a buscaria, já que estava sem carro, como já mencionado em outro artigo. Respondi que iria andando até o hospital, que ficava apenas a três quadras dali e, de lá, chamaria um transporte por aplicativo. Mais que imediatamente o Virlei enfia a mão no bolso e tira as chaves do carro, oferecendo-as em tom quase impositivo: "Então vai com o meu carro!".


Há na nossa sociedade um conhecido dito popular que diz que “carro e mulher não se empresta pra ninguém”. Para além das conotações machistas da expressão, há razões de certa forma plausíveis para essa afirmação, que extrapolam os riscos inerentes às implicações legais e cíveis de um sinistro, por exemplo.


Bateu resolveu

Para muitos condutores, há uma relação de intimidade com seu carro que é expressa desde os cuidados com a manutenção, com a limpeza e indo até mesmo a extremos como a estética. E mesmo para aqueles mais despreocupados com esses fatores, o carro ainda reflete muito da personalidade de seu dono, apresentando, por exemplo, a organização de seus escritórios ou mesmo a desorganização de seus quartos. Assim, como forma de otimizar o tempo que a correria do dia a dia nos impões, os carros muitas vezes acabam tornando-se extensões de nossas próprias casas.


Para outros, entretanto, essa identificação é tamanha que o veículo passa a ser visto como uma extensão do próprio corpo! Dessa forma, ao adentrar um carro emprestado, um simples ato de ajustar o assento ou os espelhos retrovisores, em menor ou maior grau, podem trazer uma desconcertante e constrangedora sensação de estarmos alterando decoração da casa do dono, ou até mesmo desarrumando o seu penteado (para não dizer coisa pior!).


Concurso literário

O fato é que, diante de tudo isso, me senti extremamente lisonjeado por ser digno da confiança de ter utilizado o carro não apenas do Virlei, mas de todos os amigos que já me brindaram com essa gentileza. Como sempre digo:


Quero estar vivo para ver chegar o dia em que daremos a mesma importância para o carro que damos para uma chave de fenda. Ou seja, uma mera ferramenta.

Enquanto esse dia não chega, tomara que tenhamos uma sociedade com cada vez mais pessoas dignas desse ato de extrema confiança e, principalmente, com a generosidade do Virlei!


 

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