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POR RUAS QUE POSSAM VOLTAR A SER LUGAR DE CRIANÇA


Normalmente não me considero uma pessoa saudosista. Muito pelo contrário, geralmente sou até um tanto avesso àquelas pessoas que vivem criticando as gerações atuais, sempre dispostos a citarem uma referência de antigamente, que invariavelmente começam com aquela famosa frase "na minha época..." Mas, no que diz respeito ao trânsito, algumas diferenças são inegáveis.


Recentemente, conheci com minha esposa um estabelecimento novo, especializado em servir pratos típicos mexicanos. Foi inevitável, ao chegar no local, não ter minha mente inundada por lembranças da minha infância, primeiramente pela decoração e até mesmo o próprio cardápio inspirados na vila do Chaves, o primeiro seriado que eu tenho memórias na minha vida. Mas também por estar localizado num bairro próximo àquele no qual cresci durante boa parte da minha infância.


Assim que escolhemos um lugar para sentar, comentei com minha esposa das lembranças que aquela avenida me traziam. De quando fazia aquele trajeto de bicicleta com os amigos para chegarmos até o Parque Moinhos de Vento, também conhecido como "Parcão". Foi apenas durante aquela overdose de saudosismo que me dei conta de que, naquela época eu devia ter não mais que uns 9 anos de idade, exatamente a idade que a minha filha tem hoje. Foi inevitável então fazer a comparação. Atualmente, seria impensável a realização de um percurso como aquele, de aproximadamente 3,5 km, em meio ao pesado trânsito da cidade por uma criança dessa idade sem supervisão de um adulto.



Confesso que não fazia ideia da distância que separava minha antiga casa do Parcão. Recorri ao Google Maps para realizar tal calculo. E ao avistar a fachada da minha envelhecida residência, lembrei das inúmeras vezes em que meus amigos e eu jogamos futebol na minha calçada, utilizando as grades do meu portão como goleira. O que me trouxe outra lembrança recente. Frequentemente almoçamos em um restaurante próximo aqui no bairro. Por se tratar de um estabelecimento familiar, há sempre algumas crianças circulando (filhos dos proprietários do restaurante, creio eu). O fato é que ao lado do restaurante há um hotel onde, no recuo do passeio, essas crianças ficam frequentemente jogando futebol.


Exatamente ao lado desse recuo, foi construído um deck envidraçado, onde antigamente fora parte da calçada em frente ao restaurante. Embora seja um local muito confortável e aprazível para almoçar, eu costumo evitar utilizá-lo quando posso. Não apenas pelo risco de que a bola das crianças bate contra os vidros do deck, mas pela proximidade com a rua que passa em frente. A angústia de simplesmente imaginar que aquela bola possa rolar em direção à rua e causar um acidente, por si só, já me faz perder o apetite.


O trânsito é uma das principais causas de morte de crianças de 5 a 14 anos no país. Que nesse dia 12 de Outubro possamos apenas levar nossas crianças para o trânsito e não mais o trânsito levar nossas crianças...



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