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ELETRIFICAÇÃO VEÍCULAR: O QUE OS PULMÕES NÃO VEEM O CORAÇÃO NÃO SENTE?


De antemão, embora ainda me causem certa euforia, esclareço que não sou exatamente um aficionados por carros antigos, daqueles com potentes (e barulhentos) motores carburados, conhecidos como Muscle Cars. Tal fato, acredito ter deixado bem claro em outro artigo escrito há algum tempo. Creio que motores a combustão interna, movidos a combustível fóssil, em pouquíssimo tempo serão tecnologias tão ultrapassadas quanto carros de boi!



Felizmente, nascemos em uma nação ecologicamente abençoada. Segundo dados do Balanço Energético Nacional (BEN), 44,7% da matriz energética no Brasil é renovável, contra apenas 14% em nível mundial. Me surpreende, no entanto, que, para uma espécie que almeja dominar o espaço e explorar novos planetas, ainda hoje utilize mais de 85% da sua matriz energética derivada de fontes não renováveis (conforme o gráfico a seguir). Fontes que, em tese, podem até ser mais eficientes, mas que são tão eficazes quanto soprar o sol para diminuir o aquecimento global! (Não, isso não é papo de ambientalista…)

Matriz Energética Mundial 2019 (IEA, 2021)

Por isso, a eletrificação automotiva tem sido apontada por muitos como uma alternativa para diminuir as emissões de gases poluentes provenientes da queima de combustíveis fósseis. Contudo, algumas questões referentes à eletrificação ainda me parecem mal resolvidas, tais como o valor médio dos veículos, o custo, a duração e o descarte das baterias, as fontes de energias não renováveis utilizadas para o abastecimento dos veículos e etc. Mas por ora, quero me ater a uma questão que me parece ainda pouco debatida no âmbito automobilístico, limitando-se ao meio ambiental. Para tanto, permita-me, caro leitor, me valer de mais umas das minhas habituais metáforas.


Imagine que você é um jovem e bem-sucedido empresário e que, por algum motivo, irá receber uma importante visita na sua grande e espaçosa casa, a qual você carinhosamente chamada de Meu Planeta. Entretanto, devido à correria do trabalho, você vem tendo dificuldades para encontrar uma nova empregada doméstica, desde que a última pediu demissão devido aos seus (maus) hábitos de higiene com a casa.


Dispondo de nenhum tempo (e tampouco ânimo) parar uma limpeza de verdade, você decide usar o bom e velho método de varrer para baixo do tapete. E assim, você simplesmente vai tirando a sujeira acumulada das áreas mais nobres da casa, como a sua lindíssima cozinha Americana, bem como a sua sala de Euroestar, e vai empurrando-as para regiões mais distantes e menos eminentes, como uma dispensa Oriental aqui, um quarto de hospedes do Sul acolá…



Quem acompanha o meu trabalho sabe o quanto sou favorável a todo e qualquer avanço tecnológico que venha a nos trazer mais segurança, comodidade ou conforto. Muito embora, certas vezes devemos nos questionar se tais avanços não são, no fundo, apresentados como soluções tecnocientíficas para as catástrofes pseudonaturais que ameaçam o planeta. Se não tratam-se apenas de tentativas de responder aos problemas causados pelo modelo social vigente sem questioná-los.


Em outras palavras, é evidente que precisamos rever nossa forma de locomoção atual. Porém, “limpar” as ruas dos países desenvolvidos de veículos poluentes às custas da degradação ambiental dos países subdesenvolvidos, de onde são extraídos os metais para a fabricação das baterias, não me parece nem de longe a solução mais sustentável para essa casa chamada planeta. Ou você também acha que “o que os pulmões não veem o coração não sente”?

 

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