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- CURIOSIDADE PODE SAIR CARO: NOVA MULTA QUER PUNIR MOTORISTAS QUE ATRAPALHAM SOCORROS NAS VIAS
Se tem algo que vemos com frequência nas ruas e rodovias brasileiras é a curiosidade dos motoristas diante de acidentes. Muitos diminuem a velocidade, filmam com o celular e acabam atrapalhando — e até colocando em risco — o trabalho de quem está ali para ajudar. E agora, isso pode mudar. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria uma nova infração de trânsito , com foco justamente nesse tipo de situação. O texto determina que motoristas devem reduzir a velocidade para até 60 km/h (ou menos, conforme a via) ao se aproximar de locais com veículos de emergência, obras ou acidentes , e também, sempre que possível, mudar de faixa para manter distância das equipes que atuam nesses atendimentos. Caso o motorista não reduza a velocidade , a infração será grave (5 pontos na CNH e multa de R195,23). Já deixar de mudar de faixa ou manter distância segura lateral será uma infração média , com multa de R 130,16 e 4 pontos na CNH. A ideia se inspira em leis como a Move Over Law , muito comum em países como os EUA, que visam proteger bombeiros, socorristas, policiais e outros profissionais expostos em vias públicas. A proposta brasileira ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, seguir para o Senado. A verdade é que o trânsito precisa de mais do que apenas regras: precisa de consciência. E talvez mexer no bolso ajude a lembrar que segurança também depende de empatia. Afinal, quem está do outro lado pode ser você amanhã.
- VOCÊ VIAJARIA NUMA CÁPSULA DO TEMPO?
Viajar no tempo sempre esteve entre os maiores sonhos do imaginário humano. A possibilidade de corrigir erros do passado ou visitar o futuro para conferir o resultado de nossas escolhas no presente há muito tempo é tema de complexas teorizações na área da física, bem como de arrecadações milionárias nas bilheterias hollywoodianas. No entanto, esse antigo sonho pode estar prestes a virar realidade… Mas não vá se animando à toa… a viagem no tempo assim como nós vemos nas telas de cinema, aos moldes “De volta para o futuro”, ainda é uma impossibilidade física (por enquanto). Mas confesso que uma notícia recebida através das redes sociais nessa semana me fez viajar no tempo. O governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, e a empresa HyperloopTT, assinaram nesta terça-feira (19) acordo para um estudo inicial de viabilidade da rota Porto Alegre–Serra para um transporte de altíssima velocidade pelo sistema hyperloop, para passageiros ou cargas. Dependendo do resultado do estudo, que contará com o apoio da UFRGS, o Estado pode ter, no futuro, o primeiro sistema de transporte por cápsulas de altíssima velocidade da América Latina. Mas afinal, o que é esse tal de hyperloop??? Baseado em um conceito apresentado pela primeira vez em 2013 por Elon Musk e uma equipe conjunta da Tesla e da SpaceX, o hyperloop é um sistema de transporte por cápsulas que viajam a altíssimas velocidades por levitação magnética (eliminando o atrito das rodas) no interior de tubos despressurizado (eliminando a resistência do ar), podendo assim chegar a velocidades que podem atingir a casa dos 1.200 km/h, com conforto e segurança superiores à de aviões. O projeto estudará um trajeto que irá de Porto Alegre até a cidade de Caxias do Sul, a segunda mais populosa do Estado. Com 129 km de distância, esse caminho que é percorrido em cerca de 1h40 de carro, caso a tecnologia venha a ser implantada, poderá ser reduzido para cerca de 12 minutos. É aqui que começa a viagem nessa cápsula do tempo. Me parece praticamente impossível, diante de uma notícia dessas, não ser, ainda que apenas na imaginação, transportado alguns anos para o futuro. Imaginar como serão as formas de nos deslocarmos, o quanto novas tecnologias, que sequer foram pensadas, que ainda estão por surgir e mudar nosso estilo de vida, encurtar distâncias e mudar nossa forma de nos relacionarmos com as cidades e com nós mesmos… Mas, apesar do discurso progressista do governador Eduardo Leite, que afirmou durante o pronunciamento do acordo: “Aqui, somos demandados pelo passado do Estado, à luz dos feitos e defeitos. Mas para que possamos nos mover no presente em direção ao futuro, temos que agir. Não vivemos do passado, vivemos de futuro.” Ainda assim, é difícil que essa mesma notícia não nos transporte, de forma paradoxal, alguns anos no passado. Que nos faça reviver, de maneira dolorosamente desconfiada, outras tantas soluções que prometiam elevar Porto Alegre à cidade modelo de mobilidade do futuro e que, por diversas vezes, sequer saíram do papel. A primeira (e única) linha de metrô de Porto Alegre, por exemplo, que teve sua implantação em 1985, mesmo ano do meu nascimento. E, desde que eu me entendo por gente, ouço promessas de uma ampliação das linhas do mesmo. Ou a promessa que durante anos, em diversas palestras que ministrei pela cidade, eu mesmo divulguei de uma provável implantação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit), o que acabou se limitando apenas aos planos político-partidários. E, mais recentemente, sofremos a lamentável perda do genial inventor Oskar Hans Wolfgang Coester , que faleceu em novembro do último ano. Coester, que poderia ser comparado ao Elon Musk da sua época, foi o responsável pela criação do Aeromovel , que, além dos 1.011 metros implantados e em operação desde 2013, atualmente ligando o Aeroporto Salgado filho à Estação do Trem, deixou de legado à cidade uma tecnologia incrivelmente inovadora e 100% brasileira. Tecnologia a qual faz a nós, porto-alegrenses, sentirmos um misto de extremo orgulho com uma pitada de decepção todas as vezes que passamos diante à linha piloto, com aproximadamente 1 km, na Avenida Loureiro da Silva, implantada em 1986 e abandonada alguns anos depois. São exemplos como esse último que nos fazem entender na prática o significado da máxima “ santo de casa não faz milagre “…
- AS MÁQUINAS VÃO A JULGAMENTO
Pela primeira vez na história uma inteligência artificial será usada em um tribunal para defender um réu acusado de infringir leis de trânsito. A startup de consultoria jurídica, DoNotPay, utiliza inteligência artificial e acaba de anunciar sua IA como “o primeiro robô advogado do mundo”. No julgamento, que ocorrerá no próximo mês de fevereiro, a IA irá ouvir toda a acusação e depois, através de um ponto eletrônico, irá dizer exatamente o que o réu deve falar perante o juiz. De acordo com a empresa, o método empregado pelo software é capaz de vencer maioria dos casos, no entanto, caso o cliente da empresa não vença o processo, a DoNotPay garantiu que pagará a multa aplicada pelo departamento responsável pela regulamentação e fiscalização do trânsito nos Estados Unidos. Essa não é, no entanto, a primeira vez que as máquinas vão à corte. Se lembra do Watson da IBM? Pesquisas apontam que escritórios dotados desse "motor cognitivo" têm uma taxa de preenchimento correto dos dados em processos de 95% com o uso da tecnologia de Machine Learning , frente à 75% quando o trabalho é feito por humanos. É algo já bastante aceito o fato de que a maior parte dos sinistros de trânsito são causados por falha humana. Boa parte deles por falhas de julgamento. O psicólogo e economista israelense-americano, Daniel Kahneman, em seu livro Ruído: Uma falha no julgamento humano , explica como e por que os seres humanos são tão suscetíveis ao ruído e aos vieses ao fazer escolhas. Talvez isso explique o motivo de tantas pessoas ainda serem contrárias à utilização da Inteligência Artificial na mobilidade. Recentemente, uma notícia (requentada, diga-se de passagem) voltou a circular nas redes sociais e grupos de Whatzapp, trazendo opiniões diversas. É fácil cairmos na tentação de imaginarmos "e se um dia um hacker invadir o sistema de um carro autônomo?" A verdade é que, atualmente, já temos sistemas de gestão semafórica em rede, por exemplo, e nem por isso vemos hackers acessando esses sistemas e abrindo ambos os sinais de cruzamentos para causar acidentes, tal qual vemos nos filmes. Na prática, para causar um acidente nem mesmo é preciso de um hacker. Basta cortar os freios do carro! No entanto, eu não vejo ninguém questionar a utilização desses sistemas semafóricos. Nem mesmo a existência dos veículos, sendo que eles podem, já hoje, ser sabotados de tantas outras maneiras... Ok, Rodrigo! Mas esses sistemas de pilotagem autônoma não são totalmente seguros. - você pode estar pensando. De fato, você tem razão. Não são totalmente seguros AINDA. Não há dúvidas de que o cinto de segurança, por exemplo, seja um equipamento fundamental, com potencial de salvar milhares de vidas. Porém, na sua criação, dificilmente se imaginou na hipótese de que um veículo pudesse cair na água e que algum ocupante pudesse vir a óbito por afogamento, preso justamente pelo próprio cinto de segurança, como já ocorreu em diversas ocasiões. Ainda assim, nunca vi ninguém advogar contra o uso desse dispositivo. Isso por dois motivos bastante óbvios: esses casos representam a exceção e não a regra e, principalmente, por que esse dispositivo não foi projetado para aquele contexto. Desde que a AI têm sido utilizada em veículos autônomos, diversos casos de sinistros - alguns até mesmo fatais - foram relatados. Isso tem feito com que algumas pessoas advoguem veementemente contra a utilização dessa tecnologia, condenando-a sumariamente. Mas não estaremos, assim como o cinto que mata os passageiros afogados, rechaçando-a fora de contexto? Meu principal argumento nesse tribunal chama-se IoT (Internet das Coisas). É fácil nos sentirmos inseguros diante de tecnologias tão novas. Ainda mais quando praticamente colocamos nossa vida nas mãos (ou na direção) de uma máquina equipada simplesmente com um computador de bordo e uma dúzia de sensores e câmeras. Mas e quando a cidade toda for equipada dessa forma? Quando não apenas os veículos estiverem conectados, mas semáforos, placas de sinalização, postes e qualquer outro mobiliário urbano? Quando, mesmo a 500 metros de distância, seu carro já souber que há um pedestre atravessando fora da faixa ou enquanto o sinal está fechado para ele, apenas porque a banca de jornais mais próxima o alertou disso? Enquanto nos preocupamos com o "e se" situações hipotéticas ocorrerem, deixamos de fazer uso de tecnologias que poderiam salvar milhares de vidas e seguimos crendo na "segurança e eficiência" humana, que mata milhões todos os anos.
- HOMO AUTONOMUS: IMPLICAÇÕES DOS AUTOMATISMOS NO TRÂNSITO
De forma muito semelhante à rotina que já expus uma vez em ESTÁ PRONTO PARA DEIXAR SUA CASA NAS MÃOS DE UM ROBÔ? , o empreendedor digital Alexandre Adoglio aborda em uma interessante fábula , em uma realidade não muito distante, a futurística rotina de André em um mundo em que a automação e a digitalização estão acima de tudo – e a inteligência artificial acima de todos. Essa instigante história onde o personagem principal é a todo o momento lembrado digitalmente de tarefas do seu dia, aniversário de parentes, compromissos de trabalho e até encontros com um crush , tudo via conexões neurais através de um chip implantado no seu cortéx, nos faz pensar o quanto disso já não vivemos, em certa medida, nos dias de hoje. Além de quanto tempo levará para vivermos vidas assim (se é que chegaremos lá) e, principalmente, as implicações disso para as mais diversas áreas, como saúde, profissão, relacionamentos e, obviamente, a mobilidade. Toda essa reflexão me fez lembrar de uma postagem recente no meu Instagram, que retrata de forma bem humorada uma situação que, muito provavelmente, muitos de nós já passamos: Com o nível tecnológico ilustrado na fábula, situações como essas dificilmente se repetirão no futuro. Esse é o típico automatismo de quem, certamente, não é acostumado a utilizar o carro com frequência e que, de forma até certo ponto contraditória, a própria tecnologia tenderá a nos livrar num futuro breve. Mas e quando o automatismo se dá na situação inversa? Eu, por exemplo, quando era acostumado a usar o carro diariamente, por diversas vezes pela janela do ônibus ou até mesmo caminhando, ao invés de olhar para trás, já me flagrei procurando o retrovisor! Isso já aconteceu com você? A verdade é que o cérebro humano precisa de certos automatismos por pura e simples economia de energia. Imagine a quantidade de energia que seria necessária apenas para o ato de dirigir, por exemplo, se cada a vez que você o fizesse tivesse que pensar e refletir longamente sobre cada passo, desde o melhor ajuste dos espelhos e bancos, até virar a chave na ignição e o funcionamento dos pedais. Muito provavelmente, quem dirige com certa frequência o faz de forma intuitiva, e, chegando ao seu destino, não lembra quantas vezes freou, quantas vezes parou no sinal vermelho e, muitas vezes, não lembra nem se parou! No entanto, entre o total e consciente controle metal e a mais involuntária e eficiente automação tecnológica, a exemplo do cidadão a baixo, ainda sigo o bom e velho ensinamento aristotélico, que diz: “ A virtude consiste em saber encontrar o meio-termo entre dois extremos. ”
- PLACEBO VEICULAR
Há alguns dias, meu carro tem "engasgado" nas retomadas. Em função da perda significativa de potência e, principalmente, do meu parco conhecimento em mecânica, recorri ao bom e velho Google para encontrar uma possível causa. Diante de uma lista imensa de possíveis motivos, um deles me pareceu o mais plausível: sujeira nos bicos injetores. De posse de um possível diagnóstico, passei a procurar por soluções alternativas. Foi quando encontrei diversos vídeos falando sobre a possibilidade de utilizar aditivos diretamente no tanque de combustível que realizavam a limpeza dos bicos. Num deles, um rapaz se propõe a testar o aditivo no próprio carro e demonstrar os resultados. Após a aplicação do produto e alguns quilômetros rodados, ele faz um relato no mínimo curioso. Segundo ele, o aditivo resultou numa melhora expressiva no desempenho do motor, ainda que pudesse ser placebo. Nesse momento, minha mente deu uma "bugada". Como poderia um veículo sofrer o efeito placebo? Placebo é um tratamento ou substância que parece um medicamento, mas não tem efeito específico. É usado em pesquisas médicas para avaliar e desenvolver novos medicamentos, procedimentos e terapias. O efeito placebo é o resultado de fatores psicológicos, como a crença do paciente de que está tomando um medicamento ativo. Durante os mais de 10 anos que tenho dedicado ao estudo desse tema, já expus nas minhas escritas diversas formas de humanização do automóvel, como personalizá-lo , batizá-lo , atribuir a ele reações humanas , nutrir relações que mais parecem um casamento , submetê-lo a procedimentos estéticos , destinar a ele significativos espaços de nossas casas , ou até mesmo torná-lo nossa casa ! Mas submetê-lo a testes psicológicos, juro que sequer havia cogitado... Quem sabe, ao invés de aditivos, combustíveis de alta octanagem, limpezas de bico ou de qualquer outros componentes, meu carro não esteja só cansado e, assim como o dono, precisando de umas férias? Vai saber o que se passa naquela cabeça... ou melhor, naquele módulo de controle eletrônico...
- E SE NÃO HOUVESSE LEIS?
Hoje venho falar sobre um tema que, embora não seja minha especialidade (e nem um dos meus preferidos), eu já trouxe em outros artigos, como em NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA , por exemplo. Com o surgimento das primeiras sociedades civilizadas, havia a necessidade de estabelecer certas normas que regrassem os usos e costumes da época. Essas normas eram transmitidas geracionalmente de maneira informal, o que abria brechas para que fossem sendo modificadas ao longo dos anos. Foi somente a partir do surgimento da escrita que esse inconveniente foi resolvido e, assim, encontrou-se uma maneira de melhor organizar a sociedade recém-criada. Por isso, logo se passou a registrar, na forma escrita, os códigos de lei. Eles estabeleciam o que cada indivíduo poderia ou não fazer. Eram as leis que determinavam o que era certo e o que era errado. Mas é claro, obedeciam às determinações religiosas e culturais de cada povo. Inicialmente as leis partiam de princípios religiosos e tinham por objetivo legitimar (tornar legal, aceitável) a sociedade tal como ela era. As primeiras leis criadas eram severas e punitivas e não concediam nenhum direito às pessoas, apenas deveres. Por isso, eram conhecidas como lei de talião ou lei do “olho-por-olho e dente-por-dente”, isto é, a punição a um crime era muito parecida com o próprio crime. Nesta época o senso de justiça era muito diferente dos nossos dias. O mais antigo código de leis conhecido foi o Código de Hamurabi, escrito na Babilônia por volta do ano 1700 a.C. Nele, Hamurabi, rei da Babilônia, estabeleceu uma série de definições que visavam não só manter a ordem, mas também homogeneizar a cultura e o comportamento por todo o reino. Exemplo de punição prevista no código: “Se um filho espanca seu pai, deve-se decepar as suas mãos” (Artigo 195). Pouco mais de dois séculos depois, por volta do ano 1447 a.C., por intermédio de Moisés, um profeta hebreu, nasceria um dos mais importantes códigos de leis já escrito: Os Dez Mandamentos, influente até hoje na vida de bilhões de pessoas por todo o mundo. Naquela época, as leis eram talhadas diretamente nas pedras, o que dava a elas um caráter de imutabilidade. Daí advém o termo cláusulas pétreas , que são limitações materiais ao poder de reforma da constituição de um Estado. Desta maneira, são dispositivos que não podem ser alterados, nem por meio de emenda constitucional (no Brasil, PEC). Muito embora não seja um dos temas pelo qual eu tenha mais afeição, o que me instigou a escrever sobre ele foi um breve, porém provocante vídeo postado nas redes sociais pela querida colega Valéria Penatti, de Piracicaba/SP. Apesar de passados quase 4 mil anos desde os primeiros códigos de leis que se tem conhecimento, uma coisa fica irrefutavelmente aparente: com tudo em que a nossa sociedade já evoluiu, ainda temos uma imensa dificuldade para cumprir muitas das leis criadas. E isso pode ser devido a diversos fatores, dentre eles podem estar a ânsia por legislar para quase tudo, como citado em NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA ; a imutabilidade de alguma leis, que acabam tornando-se obsoletas diante dos avanços sociais e tecnológicos cada vez mais rápidos; ou até mesmo pela falta de uma imutabilidade para certos casos, como temos acompanhado ultimamente no nosso CTB através do show de resoluções, um tal de aprova, revoga, assina, cancela, marca, desmarca, remarca… como já mencionei em O BODE NA SALA DA FAMÍLIA MERCOSUL . Quem sabe devêssemos ter também no CTB, assim como na Constituição, algumas cláusulas pétreas ???
- PELÍCULA FOTOSSENSÍVEL: DOS ÓCULOS PARA O PARA-BRISA
Após encontrar uma vaga a aproximadamente duas quadras, caminhava para o trabalho numa ensolarada manhã de verão. Eis que, como de costume, percebi que as lentes dos meus óculos escureciam lentamente. Ainda que tenha ganhado da minha esposa lentes novas de aniversário, já há uns três meses, às vezes me incomoda um pouco aquela troca de coloração, sobretudo quando saio do sol e acesso ambientes fechados, como o elevador onde eu me encontro agora a caminho da minha sala. O processo de escurecimento da lente é relativamente rápido, mas o de clareamento pode levar alguns minutos, deixando uma leve sensação de "cegueira" dependendo do local em que você está. Antes mesmo de o elevador chegar ao meu andar, lembro que há poucos dias troquei a película dos vidros do meu carro. Para obter um maior conforto térmico e maior privacidade, escolhi por um tom mais escuro do que havia anteriormente, o que ainda me traz alguma dificuldade para realizar algumas manobras, sobretudo à noite ou em ambientes escuros. Durante o breve trajeto do corredor que separa o elevador da minha sala, dou um Google em película fotossensível e, para meu completo espanto, essa tecnologia já existe! Chego à sala sorrindo sozinho, meio impressionado, meio frustrado — não pela descoberta em si, mas pela constatação de que o óbvio às vezes só parece óbvio depois que alguém faz. E, no trânsito como na vida, talvez o segredo esteja em olhar com outros olhos… ou com outras lentes.
- NOVA LEI OBRIGARÁ VEÍCULOS COM MAIS DE CINCO ANOS A REALIZAREM VISTORIAS ANUAIS
Confiantes nas condições de segurança de seus produtos, diversas montadoras têm oferecido 5 anos de garantia em seus veículos zero km. Obviamente que, durante esse período, revisões periódicas devem ser realizadas para o correto acompanhamento das condições mecânicas do automóvel. Mas sejamos francos. Passados os primeiros anos, cobertos pela garantia, ou mesmo de posse de um veículo usado, quem no país costuma realizar revisões periodicamente? A idade média da frota de veículos no Brasil em 2025 ultrapassou os 10 anos e 11 meses , reflexo de uma renovação mais lenta e da permanência de carros mais antigos em circulação. Esse envelhecimento da frota tem impactos diretos na segurança viária, nas emissões de poluentes e nas condições gerais dos veículos que ocupam nossas ruas e estradas. Diante desse cenário, a Câmara dos Deputados aprovou um novo projeto de lei que institui vistorias anuais obrigatórias para veículos com mais de 5 anos de uso. A proposta visa garantir que esses automóveis estejam em condições adequadas de segurança e conservação, contribuindo para a redução de acidentes e problemas mecânicos nas vias. O projeto agora segue para análise no Senado. A medida pode ser um passo importante para tornar o trânsito mais seguro, sustentável e confiável para todos. No entanto, como já mencionei em outro artigo , especialistas em segurança viária apontam que falhas mecânicas nem mesmo de longe representam uma das principais causas de sinistros. Segundo o ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), se unirmos a essa causa os problemas viários, juntos representariam aproximadamente 10% do total de fatores causadores de sinistros de trânsito, atribuindo-se os outros 90% a uma outra peça de manutenção bastante difícil (diga-se de passagem): nós, amáveis seres humanos. Sem entrar no mérito da eficácia dos exames realizados, eu fico me perguntando: por que o fator mecânico, que é responsável por menos de 10% dos sinistros, nos gera tanta preocupação a ponto de realizarmos revisões anuais? E, em contrapartida, o fator humano, responsável por 90% dos sinistros, não nos parece preocupar que seja revisado a cada 10 anos? E ainda com renovação automática, como vem prometendo o atual Ministro dos Transportes, Senhor Renan Filho? Você andaria tranquilamente a bordo de um veículo sabendo que ele foi revisado pela última vez há 10 anos atrás? Se não for imprudência, me parece, no mínimo, excesso de confiança nessa “peça” que gera tantos sinistros… Dessa forma, sigo questionando: Não estaria na hora de um Recall ?
- HYUNDAI CRIOU UMA PINTURA QUE 'CURA' ARRANHÕES SOZINHA
Quando comprei meu último carro, fiz algo que pode parecer impensável para muitas pessoas: comprei um carro batido. Ok… Era apenas um amassado na tampa do porta-malas e um pequeno furo no para-choque traseiro, mas suficiente para muitos condutores desistirem da compra. E o pior: rodei com aquelas avarias na lataria por mais de um ano! Algo que, para muitos, poderia representar motivo de vergonha, a mim nunca incomodou tanto assim. Mas essa minha “despreocupação” com a estética imediata contrasta bastante com o que vejo no cotidiano dos apaixonados por carro e, especialmente, no que diz respeito à estética automotiva impecável . Para muita gente, a aparência de um carro fala muito mais do que o motor, o consumo ou o estado mecânico. A pintura brilhando, sem riscos, sem marcas de impacto, é quase uma extensão da própria identidade: diz que o dono se importa , que zela pelos detalhes, que está atento à conservação e ao valor de mercado do veículo. Nada mal para uma máquina que, no fim das contas, é um meio de transporte, mas acaba se tornando símbolo de cuidado, de estilo e, para alguns, até de status. É por isso que serviços como funilaria, polimento detalhado e vitrificação automotiva, que formam uma camada protetora na pintura para combater arranhões, manchas e desgaste, são tão valorizados e procurados pelos entusiastas. Eles não querem simplesmente cobrir imperfeições ; eles querem preservar uma estética que, muitas vezes, é quase emotiva para quem olha para o seu carro como algo mais que metal sobre rodas. Essa busca por perfeição estética não é fútil: ela reflete uma relação profunda entre pessoa e veículo, onde cada marca ou arranhão carrega um peso emocional ou simbólico. Pensando nisso, talvez seja menos surpreendente que uma montadora como a Hyundai esteja trabalhando em uma tecnologia que pode revolucionar (e até minimizar) essa relação com a estética automotiva. Segundo uma novidade publicada recentemente, a marca coreana registrou uma patente de um tipo de pintura automotiva com capacidade de “autorregeneração” , capaz de “curar” arranhões sozinha graças a uma tecnologia flexível de revestimento. Essa inovação promete que marcas de lavagem, pequenos riscos causados por impactos leves, fezes de pássaros ou insetos grudados podem, ao longo do tempo, se auto-restaurar , sem a necessidade de intervenção de funileiros ou polidores. A fórmula, baseada em polímeros com flexibilidade superior ao verniz tradicional, se deforma ante pequenos danos e gradualmente retorna à sua forma original, tudo isso sem depender de calor intenso ou exposição solar . Imagine um futuro em que aquela pequena marca no capô não seja mais um símbolo de descuido, mas algo que, aos poucos, simplesmente desaparece, recuperando o brilho e a uniformidade da pintura sem que você precise fazer nada. Para quem, como eu, já andou por aí com um carro que “contava sua história” através de amassados e riscos, isso pode parecer surreal. Mas para muitos amantes de carros, essa tecnologia poderia se tornar um divisor de águas na forma como valorizamos e cuidamos da estética dos nossos veículos . No fim, seja você do time que vê beleza na imperfeição ou do grupo que sonha com um carro sempre impecável, essa inovação nos faz refletir: até que ponto a estética automotiva é sobre aparência… e até que ponto ela é sobre nossa própria relação emocional com aquilo que dirigimos todos os dias?
- BICICLETA COMO TRANSPORTE DIÁRIO: POSSIBILIDADE OU LOUCURA?
Há alguns dias conversava via mensagens com um amigo que está morando há aproximadamente dois anos em Portugal. Tentando não me alongar demasiadamente na resposta, tentei ser sucinto ao resumir nossa situação aqui depois de alguns meses sem conversarmos: “…sigo enlouquecido com o condomínio (na condição de síndico), a Isa (filha mais nova) tá com catapora, a Mari (filha mais velha) colocou aparelho nos dentes e a Bruna (esposa), como sempre, de dieta…(risos)”. Seguidas algumas outras mensagens, achei pertinente informar uma mudança que foi bastante significativa pra mim: “…estou desde setembro sem carro (assim como já havia mencionado em CARRO QUE MUITO SE AUSENTA, UMA HORA DEIXA DE FAZER FALTA ). Tenho ido trabalhar de bicicleta.” Me senti super “europeu” depois de dizer aquilo. Esperando uma resposta positiva, sobretudo vinda de alguém que está há quase dois anos morando lá, fui surpreendido com um espantoso “TU TÁ MALUCO!” Aquela conversa me levou a refletir algumas coisas. Eu tinha uma bicicleta guardada há anos. Nada de muito sofisticado… bem pelo contrário! Daquelas bem simples, compradas no Walmart, o que não me trazia segurança para usá-la diariamente, muito embora já tivesse experimentado ir pro trabalho com ela algumas outras vezes. Recentemente, fiz uma reforma geral nela, na qual gastei em torno de R$ 600, mas fiquei com uma bicicleta praticamente nova. Se fosse “investir” esse valor num veículo eu dificilmente trocaria mais que dois pneus, ou abasteceria o suficiente para rodar uns dois meses… Minha esposa, quando ficou sabendo do valor da reforma, vociferou um “Ah! Mas que caro…”. O fato é que, só com o que economizei de garagem nesses meses sem carro a reforma da bicicleta já se pagou. Usando o carro praticamente só aos finais de semana já gastava em torno de dois tanques por mês. Lá se vão mais no mínimo R$ 350 por mês… Isso sem contar os demais custos de se manter um carro, já citados em RECEITA DEFINITIVA PARA EMAGRECER: COMPRE UM CARRO! . Obviamente nem tudo pode ser feito de bicicleta. Às vezes, inevitavelmente, precisamos de um carro. Para os casos mais diários e corriqueiros, os aplicativos como Uber e 99 têm se mostrado bastante eficazes. Com esses, tenho gasto em média R$ 150/200 por mês. Para viagens mais longas, simplesmente alugo um carro, o modelo que eu bem entender e pelo tempo que eu precisar. Bem, creio que a economia, no que tange à bicicleta, seja ponto pacífico. Hoje mesmo voltei da oficina por ter que trocar uma câmara furada e, por isso, gastei o “absurdo” valor de R$ 27. Assim como questões relacionadas à saúde e qualidade de vida. É evidente que o ato de dirigir é um convite à inércia, ao sedentarismo. Ao pedalar, além de estar me exercitando, economizando, posso desfrutar de imagens como essa acima, do pôr do sol mais lindo do mundo. Poderia você viver dessa forma? Ou também acharia loucura?
- COMO SALVAR QUEM NEM SABE QUE PRECISA SER SALVO?
A Revolta da Vacina foi um movimento popular ocorrido no início do século passado no Rio de Janeiro, capital do país na época. Sua causa principal foi a lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, embora possa também ser associada a causas sociais, como as reformas urbanas que vinham sendo implementadas pelo então prefeito Pereira Passos e as campanhas de saneamento, encabeçadas pelo médico Oswaldo Cruz. Qualquer reforma urbana realizada, seja ela planejada ou não, impacta diretamente na mobilidade local. Mas não é exatamente esse o ponto que quero abordar no texto de hoje, mas a questão da saúde, por isso o exemplo da vacina. Eu gosto de usar essa analogia nas palestras , quando sou questionado sobre as campanhas educativas voltadas ao trânsito (ou a falta delas). Uma campanha de vacinação só tem sucesso se divulgada e se a população entender a sua importância e se sentir parte da mudança. Do contrário, ninguém iria se vacinar por vontade própria! E se hoje já há uma cultura de que as pessoas tomem certas vacinas, é porque foi feito isso há algum tempo atrás. Não dá pra cobrar que a equipe se saúde bata de casa em casa pedindo para as pessoas se vacinarem… tá na hora da Secretaria de Saúde inteira entrar em ação e lançar uma campanha! CALMA LÁ, RODRIGO… O QUE EXATAMENTE UMA CAMPANHA DE VACINAÇÃO TEM A VER COM O TRÂNSITO?! Para explicar a minha analogia eu preciso contextualizar minimamente a situação do trânsito por aqui. Porto Alegre faz parte desde 2011 do Programa Vida no Trânsito (PVT), que foi criado pelo Ministério da Saúde e visa, de forma intersetorial, isso é, envolvendo não só os órgão da área da saúde, mas da segurança pública e da gestão de trânsito, no intuito de melhorar além da captação de dados, o pronto atendimento de vítimas de acidentes de trânsito, bem como conhecer quem está morrendo e porque, para pensar, a partir de dados estatísticos concretos, em campanhas de forma preventiva e não apenas reativa, além de subsidiar os eixos da engenharia e fiscalização. O PVT foi uma das ações realizadas no Brasil para colaborar com as metas propostas pela Década de Ação para Segurança Viária de redução de 50% no número de mortes no trânsito até 2020. Meta a qual Porto Alegre, conforme o gráfico abaixo, já alcançou com dois anos de antecedência. Fonte: https://eptctransparente.com.br/acidentes No entanto, apesar da ótima notícia, o gráfico traz um dado incompleto ou desatualizado: o número de 56 morte referentes ao ano de 2019 provavelmente é parcial, talvez de Janeiro à Setembro, pois, até o dia da publicação desse texto, temos o mesmo número de vítimas fatais de 2018. Esses dados nos levam a triste constatação de que, após 4 anos seguidos de redução, no ano de 2019 essa redução não se manteve. E o pior, esse número ainda pode subir, levando-se em consideração que, desde 2009, Porto Alegre segue a sugestão da Organização Mundial de Saúde de acompanhar as vítimas de acidentes de transito por até 30 dias de hospitalização. Portanto, se uma pessoa que se acidentou em dezembro de 2019 vir a óbito no hospital até de 30 de Janeiro de 2020, esse dado é computado no ano de 2019. Como já mencionei nesse outro artigo , Porto Alegre hoje é considerada a capital do idoso. Por isso, não causa espanto o fato de que aproximadamente 30% das vítimas de acidentes de trânsito fatais na cidade envolvam esse público, sobretudo com o aumento tanto da expectativa quanto da qualidade vida. Segundo dados do PVT, dessas 75 vítimas, 22 eram idosos. O ano de 2020 infelizmente começou seguindo a mesma tendência. A primeira vítima do ano foi uma senhora de 73 anos, atropelada no final da tarde do último sábado, dia 4, numa avenida de grande circulação da zona sul da cidade. O fato deixou as autoridades de trânsito da cidade em alerta, pensando em mais ações que possam ser feitas para atingir o público em questão. E é nesse ponto que quero voltar a campanha de vacinação. Os órgãos gestores de trânsito obviamente têm a responsabilidade de manterem um trânsito seguro e índices de sinistralidade os mais baixos possíveis. Entretanto, assim como em campanhas de vacinação, a população tem de fazer a sua parte e assumir o compromisso e o protagonismo nessa mudança. Já na Revolta da Vacina, a população se posicionou de forma ativa porque não queria ser vacinada. Mas o que fazer quando as pessoas não sabem que precisam ser vacinadas? O que fazer quando morrem 1,3 milhões de pessoas por ano em todo mundo acometidas por um “vírus” que, embora já diagnosticado, poucos parecem ver? A Varíola só foi considerada erradicada pela Organização Mundial da Saúde em 1980 e, entre os sobreviventes da doença, as sequelas mais comuns eram a extensa cicatrizes na pele e cegueira. Talvez isso explique a atual dificuldade para enxergar soluções para a problemática do trânsito…
- A TECNOLOGIA ESTÁ NOS DEIXANDO ANTISSOCIAIS. SERÁ?
Dia destes, enquanto navegava pelo LinkedIn, me deparei com uma postagem de uma Designer de Produto, especialista em Neurociência, chamada Carolina Cruz Perrone. Na postagem , ilustrada pela imagem a seguir, ela aborda de forma extremamente instigante esse que é um debate com o qual sempre me deparo quando o assunto é tecnologia. Ela questiona: Em tempos de demonização do digital, fica a reflexão. A tecnologia molda o comportamento, ou o comportamento molda a tecnologia? (Toda essa tecnologia está nos deixando antissociais) Tal questionamento me remete a um artigo que escrevi há algum tempo sobre Haters , termo muito utilizado nos meios virtuais, ou seja, internet e redes sociais, para definir pessoas que costumam tecer duras críticas a pessoas, instituições ou mesmo situações. No entanto, não foi na Internet que esse tipo de discurso de ódio surgiu. Ela é apenas a ferramenta ou meio utilizado atualmente para a disseminação de uma prática que acompanha a humanidade desde as mais priscas eras! Quem nunca ouviu falar naquela máxima da caneta que pode ser utilizada para furar os olhos do seu inimigo ou para assinar um tratado de paz com o mesmo? Ora, a ferramenta é a mesma. O que difere é o uso que se faz dela. Agora, culpar a caneta pelas intermináveis guerras que a humanidade tem travado ao longo de sua existência me parece, no mínimo, insensato… Seria sensato afirmar que os controles remotos nos deixaram mais preguiçosos? Que a Internet nos fez mais ansiosos? Ou ainda, que os veículos automotores nos tornaram mais sedentários? Isso, para mim, soa como afirmar que se a população mundial está com sobrepeso é por culpa das balanças! Na já tão habitual “ Terceirização da Culpa ” humana, a bola da vez é a tecnologia. Parece que nesse divã de intermináveis negações e conflitos internos, a humanidade precisa começar a aceitar não só suas culpas, mas suas preguiças, suas ansiedades, seus sedentarismos e sobrepesos para, só então, quebrado esse espelho que reflete essa distorcida imagem narcisista de nós mesmos, começarmos a (des)construção do ser humano. Não aquele que queremos, mas aquele que de fato precisamos ser.



















