CENTRAIS MULTIMÍDIA DEIXAM OS CARROS MENOS SEGUROS: O QUE UM NOVO ESTUDO NOS DIZ SOBRE DISTRAÇÃO AO VOLANTE
- Rodrigo Vargas

- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Nos últimos anos, as centrais multimídia se tornaram item praticamente padrão nos automóveis. Elas oferecem clima, som, navegação e conexões diversas em telas grandes e sensíveis ao toque — eliminando muitos dos botões físicos que eram intuitivos e fáceis de operar sem tirar os olhos da estrada. Mas essa modernização estética pode estar cobrando um preço alto na segurança viária.
Um estudo recente conduzido pela Universidade de Washington, em parceria com o Toyota Research Institute, revela algo que deveria chamar a atenção de todos que trabalham com comportamento no trânsito: o cérebro humano não lida bem com a tarefa de dirigir e interagir com telas touchscreen ao mesmo tempo— e isso vai muito além do simples “tirar os olhos da estrada”.
O que a pesquisa mostrou
Os pesquisadores usaram um simulador de direção de alta fidelidade e submeteram os participantes a tarefas cognitivas enquanto dirigiam e interagiam com uma central de 12 polegadas. Sensores mediram desde a dilatação das pupilas até a precisão dos toques. Os resultados foram claros:
Perda de controle direcional: sob carga mental elevada, os motoristas tiveram dificuldade para manter o veículo centralizado na faixa.
Interações imprecisas e prolongadas: toques mais fortes, mas menos precisos, prolongaram o tempo de interação e aumentaram a distração.
Distração comparável a digitar mensagens: navegar por menus profundos mostrou riscos equivalentes à redação de textos enquanto se dirige.
Este estudo reforça algo que já vinha sendo observado em pesquisas anteriores: tarefas no multimídia podem desviar a atenção visual, manual e cognitiva do condutor por tempos que, no trânsito real, são suficientes para atravessar dezenas de metros com foco fora da via.
Por que isso importa?
Enquanto botões físicos e controles táteis permitiam ajustes “no tato”, sem olhar para baixo, as telas contemporâneas exigem que o motorista procure ícones e níveis de menu — o que aumenta o esforço cognitivo e gera uma competição direta com a tarefa principal: dirigir com segurança.
Isso é especialmente relevante quando pensamos nos efeitos da distração cognitiva no comportamento do motorista: mais tempo de reação, menos controle e maior probabilidade de erros graves. Essa sobrecarga mental se soma a outros fatores de risco já bem conhecidos no trânsito, como fadiga ou uso de celulares.
O que a indústria está considerando?
O estudo não sugere que as telas deviam desaparecer, mas aponta para a necessidade de repensar interfaces centradas no usuário. O uso de inteligência artificial para reduzir cargas desnecessárias — simplificando menus ou bloqueando notificações em momentos críticos — é uma das soluções propostas pelos pesquisadores.














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