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O (DES)EQUILÍBRIO DE UMA SOCIEDADE ENTRE A REPRESSÃO E A INSURGÊNCIA


Dois casos recentes envolvendo polícias rodoviários federais chocaram não apenas a quem trabalha com trânsito, mas a toda a sociedade. O primeiro, no último dia 18, resultou em dois policiais cearenses mortos a tiros após um deles ser desarmado durante o atendimento de uma ocorrência na BR 101. Menos de 10 dias depois, um homem morreu asfixiado após uma abordagem de três agentes da PRF em Sergipe. Ele foi revistado, algemado, amarrado e colocado no porta-malas da viatura, dentro da qual foi acionada uma bomba de gás.


O que mais me intrigou foi que, entre um acontecimento e outro, debatíamos, alguns colegas e eu, exatamente sobre isso. Como a história, de maneira geral, é cíclica, repleta de momentos de maior repressão e seguida de momentos de maior permissividade. Como se a humanidade não fosse capaz de alcançar um equilíbrio entre esses dois extremos. E essa característica, obviamente, não deixa de ser expressa no trânsito.



Um exemplo que trago muito vivo na memória remete à minha adolescência. Na época, tinha alguns amigos que moravam na Avenida Princesa Isabel, avenida de movimento diuturno na cidade de Porto Alegre, na qual encontravam-se diversos bares, lancherias e casas noturnas. Era comum passar a noite no apartamento desses amigos. Como sempre fui detentor de um sono extremamente leve, encontrava grande dificuldade quando precisava dormir lá, passando inúmeras noites em claro. Tudo porque, naquela época, essa avenida era palco de constantes pegas e rachas durante a madrugada.


Esse, me parece, é um retrato fidedigno da ética que impera na nossa sociedade. O que me remete à Teoria do Desenvolvimento Moral, de Jean Piaget, a qual já abordei em outro artigo. Segundo ele, o desenvolvimento moral e ético estaria dividido ao longo da vida em três grandes fases, a Anomia Moral, a Heteronomia Moral e culminariam em uma Moralidade Autônoma.


Nesta fase derradeira, o indivíduo deveria adquirir princípios morais e éticos a ponto de cumprir com seus deveres simplesmente pela consciência de sua necessidade, significação e importância, ainda que não esteja na presença de uma autoridade. Trocando em miúdos, seria, por exemplo, aquele condutor que respeita os limites de velocidade da via, mesmo quando não há nenhum equipamento eletrônico de fiscalização, pelo simples fato de ter consciência de que a alta velocidade pode gerar riscos a sua vida e a de outrem.


E no que se refere a deveres, se tratando esse um ano eleitoral, cabe lembrar deste que é um dos principais deveres cívicos: votar conscientemente para escolher seus governantes e representantes nos poderes legislativo e executivo. Em uma sociedade onde reina uma inconcebível lógica dicotômica, ainda sigo o bom e velho ensinamento aristotélico, que diz: “A virtude consiste em saber encontrar o meio-termo entre dois extremos.”


 

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