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JANEIRO BRANCO: CUIDAR DA MENTE TAMBÉM SALVA VIDAS NO TRÂNSITO

Janeiro Branco: Cuidar da Mente Também Salva Vidas no Trânsito


Ao retornar das últimas férias, nem bem cheguei ao meu serviço e já me deparei com uma notícia triste: mais um motociclista perdera a vida na cidade essa manhã. As circunstâncias do sinistro, entretanto, levam a crer que o incidente possa ter sido premeditado. Motocicleta na contramão, num corredor exclusivo de ônibus, o capacete pendurado no braço do motociclista em vez de na cabeça, e um copo Stanley caído próximo à moto. A suspeita se confirmou quando a família da vítima descobriu vídeos com mensagens de despedida nas redes sociais do jovem: suicídio.



Atualmente, não há estatísticas oficiais consolidadas e específicas sobre suicídios no trânsito no Brasil, justamente porque esse tipo de ocorrência é difícil de ser identificado com precisão. Muitos casos de suicídio podem ser registrados como acidentes de trânsito comuns, já que raramente há provas claras de intencionalidade (como bilhetes, mensagens ou vídeos de despedida). As autoridades, em geral, registram como sinistros (acidentes) e não como suicídios, a menos que haja fortes evidências, como nesse caso. Contudo, pesquisas e relatos internacionais e nacionais apontam que o trânsito pode, sim, ser usado como meio de suicídio, especialmente por pessoas em sofrimento psíquico grave.


Duas coisas me chamaram atenção nesse caso em específico. A primeira foi que, enquanto procurava o perfil da vítima para ver os vídeos deixados para os familiares, encontrei diversos outros perfis contendo o mesmo numeral: "244". Após uma rápida pesquisa, minha suspeita se confirmou. Entre motociclistas brasileiros, “244” funciona como gíria/código ligado ao artigo 244 do Código de Trânsito Brasileiro, que trata de várias infrações de pilotagem considerada perigosa — como dirigir sem capacete, transportar passageiro sem capacete ou fazer manobras arriscadas (o famoso grau) ao pilotar uma moto. Em outras palavras: “244” é um código que remete a condutas proibidas no trânsito quando se trata de motocicletas e que a galera usa como gíria para falar dessas práticas.


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A segunda diz respeito à época do ano. Nesse mês, ocorre o Janeiro Branco, uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental, criada no Brasil em 2014 por psicólogos de Uberlândia (MG). A escolha do mês se dá porque janeiro simboliza recomeços, resoluções e planejamento de vida, um momento oportuno para refletir sobre o bem-estar emocional. O “branco” representa uma folha em branco, pronta para novas histórias, decisões e cuidados. A campanha busca quebrar tabus, incentivar o autocuidado, o diálogo e a busca por ajuda psicológica, além de promover políticas públicas voltadas à saúde mental. É uma forma de lembrar que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo e que todos temos papel nesse cuidado, seja individualmente ou como sociedade.


Casos como esse escancaram a urgência de olharmos para além das estatísticas frias do trânsito. Nem todo sinistro é apenas fruto de imprudência ou falha técnica — alguns são gritos silenciosos de dor emocional. O trânsito, muitas vezes, é palco de um sofrimento que passou despercebido em casa, no trabalho, nas redes sociais.


Precisamos ampliar a visão sobre segurança viária para incluir o cuidado com a saúde mental. Janeiro Branco nos lembra disso: vidas estão em jogo, e muitas delas estão pedindo ajuda antes de serem apenas mais um número na triste contabilidade diária de mortes no trânsito.



 
 
 

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