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Caminhando pelas ruas do bairro




Particularmente atravesso a “faixa de pedestres”, aquelas com ou sem “botoeira”, quando o sinal fica verde para mim - isto tornou-se hábito -, mesmo quando não há tráfego visível de veículos. A “botoeira” - atualmente sua presença são comedidas nas travessias de pedestres em nosso bairro - tem a função de avisar o usuário que existe a demanda da via, ou seja, quando não acionada, não vai fechar o semáforo desnecessariamente. Já as automáticas controlam esse serviço (entende)?


Ontem na calçada, na frente ao colégio Três de Outubro, esperava o sinal ficar verde para cruzar – como sempre não tão despreocupadamente - na faixa de pedestre. Fui tomar a 3ª dose, o reforço, da vacina contra a COVID-19 na Unidade Básica de Saúde Tristeza.

De repente, e não mais que de repente, um jovem – com capacete debaixo dos braços - que supostamente queria cruzar a av. Wenceslau Escobar parou ao lado.

Desconsiderando minha vigília, olhou os dois sentidos da via, e como ainda não havia veículos na proximidade, deu uma de “filho desobediente” e lascou a frase:


- O senhor pode vir, não vem vindo nada!


Sua intenção estava alinhada com o sentimento de que eu portava alguma senilidade. Não disse vocábulo algum decidindo ficar ali parado esperando o sinal verde. Houve uma espécie de “distração” no jovem rapaz, mas o mundo moderno o aguardava... e assim, obediente aos seus impulsos disparou rumo as incertezas.

E singrando a faixa de pedestres prosseguiu ofertando olhadelas furtivas em minha direção estranhando quem sabe aquela atitude inusitada a sua realidade, mas que a mim sinalizava o adjetivo “prudente”.



Pacientemente esperei o sinal vermelho desaparecer e rumei ao meu destino. (e isso não significa que tenho talentos especiais. Somente sou fervorosamente cumpridor de regras). Seguidamente quando espero a permissão eletrônica para cruzar a faixa de pedestres, fico tentado observando a periferia. Reparo de maneira bem realista aquela multidão de pedestres, sem rédeas, desobedecendo fronteiras ao galgar a faixa - que é específica para eles - mesmo quando o sinal ainda está vermelho.


Cruzam como se a sinalização não existisse! (e para muitos realmente elas não existem - são objetos perdidos no “nada”). E ao examinar atentamente mirando nos olhos daqueles imprudentes, confesso que as reações diversificam:


- Alguns baixam a cabeça como se estivessem procurando algo perdido ao chão (bem sei que às vezes o “corrigir” pode ser sutil como o bisturi).


- Outros olham para o céu parecendo buscar um “ser mágico” que os liberte do açoite desta transgressão, e certos alheios com ousadia distribuem “gratuitamente” um sorrir de coloração amarelo (lamentoso, pois vejam que até os sorrisos tornaram-se políticos).


Mas o que mais chama atenção são os que oferecem “ar de espanto”, como recitando:

- O que aconteceu? Onde estou? Quem sou eu? (antigamente isso tinha vários nomes: “cara de pau”, “individualista”, “sem vergonha”).


E se ouso criticar o comportamento do cidadão leviano – atravessa o semáforo que indica o vermelho ao pedestre – que imediatamente oferta algum destes brindes gestuais:

- “Sorriso malandro” de quem fez coisa pequena; (é o modelo “pode tudo” pois não vai dar em nada);

- O “descaso gelado”; (exemplo típico do “você sabe com quem está falando?”), e:

- A frase: “não vi” (membro da laia “sua vida é uma mentira”)


Determinado dia outro rapaz – um desses que irão comandar o destino do país -, em frente ao “Tudo Fácil da Tristeza” na avenida Wenceslau Escobar, brindou-me silenciosamente com seu dedo médio em riste quando alertei que o sinal ainda estava vermelho (existem pessoas que são especialistas em atitudes vazias; ou melhor, legítimos exemplos de “aprendendo a desaprender”)


Tal qual “vaca de presépio” nada expressei. Uma boa pergunta seria:

- Quais empecilhos dificultam a fiscalização dos comportamentos sem ética propagandeados pelas vias e ruas que transitamos?

Seria a falta de fiscalização do cumprimento das regras impostas ao pedestre ou os mecanismos que possibilitem colocar em prática o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro para estes casos?


As regras existem, mas não é possível cobrar do pedestre como se cobra do condutor, por exemplo, que recebe do Estado uma concessão para poder dirigir. No caso do pedestre, que é livre para circular da maneira que desejar, não se encontrou ainda a forma legal para cobrar um caminhar na cidade mais responsável. Em resumo é juridicamente possível, mas tecnicamente inviável)


Mas apesar do desencantamento devemos continuar perseverando como aquele cidadão não tão pacífico e obediente aos regramentos. Então faço meu dever de cidadão e assim com minhas rabugices percebo que consigo ainda que modestamente sensibilizar algumas pessoas embora não seja possível ainda observar resposta imediata.

Creio muito na materialização das transformações, pois elas têm origem nos exemplos, e assim deixo um recado silencioso para que os demais moradores do bairro reflitam sobre esta consideração.


Sim, estamos diante somente de uma das “situações” nesta imensa vitrine que é a “cidadania na mobilidade urbana”, e desejando transitar pelas desculpas alguns dizem que as faixas inexistem, enquanto outros balbuciam que são mal sinalizadas (mas oferto os “sim” ou “não” destes “reclames” ao escrutínio dos órgãos especializados).

Passo, desta forma, desejar que o sem-educação e/ou o mal-educado sofra uma mudança radical tornando-se então, um novo cidadão - não mais encurralado por suas irresponsabilidades -, mas sim, com educação e bem-educado, restando então que o “sem ética” passe a engolir o elixir da conscientização... “elixir” esse, que verdadeiramente deve restaurar o bom convívio de todos na nossa comunidade.


 


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